Anexo i
Exemplos de Pesquisa
1. Comportamentos sexuais na adolescncia *
Maria Jos Garcia Werebe * * 
Pouco se sabe sobre a vida sexual dos adolescentes, sobretudo dos jovens 
adolescentes. 
Isto porque, em primeiro lugar, raros foram os estudos realizados diretamente com populaes desta idade, o que  
facilmente explicvel se se consideram os inmeros obstculos encontrados pelos pesquisadores, a comear pelas objees 
por parte dos pais. 
Em segundo lugar, deve-se notar que o objetivo da maioria das pesquisas feitas neste domnio tem sido o estudo das 
atitudes e experincias sexuais, com nfase particular sobre a relao exual propriamente dita (coito), considerada por 
alguns autores, como por exemplo Hopkins, como a atividade sexual que tem a mais profunda significao para os jovens 
(1977, p. 67). 
A proliferao de inquritos sobre o comportamento sexual dos jovens, nas ltimas dcadas, parece corresponder a uma 
certa preocupao- (moral?) com as mudanas ocorridas nos mores sexuais da juventude. De fato, os resultados destes 
inquritos, embora nem sempre concordantes eu. termos quantitativos, indicam, em geral, um aumento progressivo da 
permissividade sexual entre os jovens, abaixamento da idade da primeira relao sexual, aumento do nmero de jovens com 
experincia sexual, menor aceitao do 
* Reproduzido, com permisso, de Psicologia, 7 (3): 27-36, 1981. 
* * Charge de recherche do Centro Nacional de Pesquisas Cientficas da 
Frana, no Laboratrio de Psicologia da Criana da Escola Prtica de Altos 
Estudos. 
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duplo padro sexual (liberdade para o sexo masculino e restries para o sexo feminino) e novas atividades (mais liberais) em 
relao  sexualidade. 
Tais mudanas no bastam para justificar o lugar privilegiado atribudo  relao sexual nos estudos feitos  muito menos aos seus 
aspectos quantitativos  pois outros tipos de comportamento ocorrem muito mais freqentemente durante a adolescncia: por 
exemplo, masturbao, sonhos acordados (devaneios) com contedo ertico. Por outro lado, certas expresses erticas e 
afetivas so to importantes (s vezes mais) quanto o ato sexual em si mesmo. 
Alguns estudos feitos com jovens adolescentes tentaram abranger vrias formas de conduta sexual (Schofield, 1968; Sigush e 
Schmidt, 1973; Boyd e colaboradores, 1973; Sorensen, 1974; Vener e Stewart, 1974; i essor e Jessor, 1975). Sem dvida alguma 
ofereceram dados importantes sobre a sexualidade pr-conjugal, na adolescncia, sobretudo no que concerne aos aspectos 
quantitativos dos comportamentos estudados, com nfase tambm sobre a avaliao da permissividade sexual entre os jovens. 
O estudo de Schofield, por exemplo  um dos mais importantes at agora realizados, pelo nmero de jovens de 15 a 18 anos 
entrevistados 934 rapazes e 939 moas) , teve como objetivo principal o de avaliar a extenso da experincia sexual neste 
grupo de idade e de identificar alguns dos fatores sociolgicos e psicolgicos associados a esta experincia (1966, p. 3). Os 
dados que obteve permitiram-lhe distribuir a populao estudada nos cinco estgios de sua escala de intimidade sexual, que 
vai desde ausncia ou pequenos contatos com o sexo oposto. .. at relaes sexuais propriamente ditas com parceiros 
diferentes. 
Porm nenhum dos autores citados se preocupou em investigar as eventuais conexes entre as diferentes formas de conduta 
sexual ou a importncia que cada uma delas representa para o adolescente. 
O interesse por tais questes constituiu justamente o ponto de partida principal da presente pesquisa. As dificuldades encontradas 
para lev-la a bom termo foram enormes, particularmente no que concerne  composio da amostra. Tais dificuldades foram 
devidas em grande parte ao fato de que os estudos sobre a sexualidade humana, em geral, e sobre a sexualidade adolescente em 
particular, esto apenas comeando na Frana. 
A vida sexual do adolescente constitui um domnio vasto e complexo, razo pela qual tivemos que delimitar a rea de nosso 
estudo. Decidimos assim comear nosso trabalho pelo estudo de atitudes face a certas questes sexuais e dos principais 
comportamentos com conotao sexual, por meio de um questionrio e de entrevistas individuais. 
Neste artigo vamos apresentar apenas os resultados obtidos a partir das entrevistas feitas com 75 adolescentes, alunos de classes 
de primeiro ano do curso secundrio (correspondentes  primeira srie do ciclo colegial do Brasil). * 
O objetivo de nosso estudo foi o de procurar compreender como as principais formas de comportamento sexual so vividas e 
integradas durante a adolescncia: como se organizam, que significao e que sentimentos o adolescente lhes associa e que 
objetivos procura alcanar com elas. 
O problema principal estudado foi assim o das possveis conexes entre as vrias formas de comportamento (solitrio ou 
interpessoal, real ou 
* Os dados obtidos com os questionrios foram analisados em ornro artigo: 
Atitudes dos adolescentes em relao  sexualidade (a ser publicado). 
imaginrio) com o fim de verificar como estas formas se associam, se completam ou eventualmente se excluem. 
A idia de base foi de que tais formas de conduta no se desenvolvem isoladamente, mas, ao contrrio, em relao umas com 
as outras. 
DISTINES NECESSRIAS 
Preliminarmente, tivemos que fazer algumas distines, embora tenham sim carter artificial. 
Em primeiro lugar foi necessrio definir o que se pode considerar como comportamento sexual ou comportamento com 
conotao sexual. Esta definio  problemtica em virtude, de um lado, de ambigidades resultantes do uso freqentemente 
impreciso de expresses tais como sexual, assexual, sexualidade etc., e, de outro lado, das controvrsias tericas sobre a 
questo. 
Desde que se aceite a idia de que o sexual no  pura e simplesmente genital,  preciso escolher sim critrio para atribuir o 
carter sexual aos processos em que o elemento genital est ausente. Este  um problema complexo e o prprio Freud o 
reconheceu quando afirmou: ... ainda no possumos um sinal universalmente aceito que nos permita afirmar com certeza a 
natureza sexual de um processo (Freud, 1916-17). 
Em nosso estudo limitamo-nos a considerar os sinais manifestos do comportamento (expresso pelos sujeitos) e, por esta razo, 
decidimos adotar um critrio restrito para definir as formas de conduta sexual, qual seja o da significao ertica explcita, 
explicitao esta feita pelos adolescentes. 
Como as fronteiras entre o sexual e o no-sexual so indiscutivelmente pouco claras e provavelmente flutuantes e o 
critrio para distinguir estas noes so muito vagos, acnmos necessrio interrogar os adolescentes sobre suas relaes 
interpessoais sem contedo sexual explcito, tais como a amizade. Desta forma pudemos levar em conta os aspectos afetivos e 
conflitivos da socializao da sexualidade. 
As formas de comportamento sexual solitrio e interpessoal foram assim definidas: 
a) As primeiras so as que envolvem diretamente apenas o sujeito. Consideramos apenas as duas fontes erticas principais na 
adolescncia: 
automasturbao e sonhos acordados (devaneios) com contedo ertico. 
b) As formas de comportamento sexual interpessoal so as que englobam todas as formas de contato ertico, fsico ou no, 
entre duas pessoas, isto , trocas de olhares, encontros (estar juntos), beijos, carcias etc., at a relao sexual completa. 
A conotao ertica destas formas de conduta, especialmente a nvel de intimidade entre os parceiros, foi sempre explicitada 
pelos sujeitos nas suas respostas s questes sobre seus namoros. 
Como j assinalamos antes, esta definio  artificial. Primeiramente porque nas formas de 
comportamento dito solitrio, o outro  freqentemente evocado por meio da imaginao ou por 
meio de recursos grficos (ilustraes, fotos etc.). Em segundo lugar, nas relaes interpessoais o 
contato entre as pessoas no implica necessariamente um verdadeiro intercmbio entre elas. Mas, 
sem dvida, a presena efetiva do outro no pode ter a mesma significao que a sua evocao. 
Quanto  distino entre as formas reais e imaginrias de comportamento, baseamo-nos, 
simplesmente, nas informaes oferecidas pelos adolescentes, embora o real e o imaginrio se 
entrelaassem evidentemente em seus 
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relatos. De fato  difcil distinguir entre estes dois aspectos e, de qualquer forma, o mtodo de coleta de dados usado no nos 
permitiria interpretaes em termos de fantasmas. 
POPULAO 
Entrevistamos 83 adolescentes * de 15 a 18 anos, recrutados na populao global da pesquisa (que respondeu o questionrio), 
assim distribudos: 
a) 40 (10 rapazes e 30 moas) dentre os 196 (69 rapazes e 127 moas) alunos de uma escola tcnica de grau mdio; ** 
b) 32 (6 rapazes e 26 moas) dentre os 190 (76 rapazes e 114 moas) alunos de uma escola secundria; ** 
c) 11 (2 rapazes e 9 moas) dentre os 12 (4 rapazes e 8 moas) estagirios de um centro de treinamento para monitores de 
colnias de frias, com nvel de escolaridade equivalente ao dos outros sujeitos. * * * 
Os 398 sujeitos responderam inicialmente ao questionrio, contendo questes sobre conhecimentos e opinies no domnio da 
sexualidade. Em seguida foi-lhes proposto uma entrevista individual com o pesquisador. O objetivo desta entrevista foi o de 
obter dados sobre a histria pessoal dos adolescentes: familiar, escolar, afetiva, social e sexual. 
Com exceo de uma entrevista, as demais foram gravadas. 
Estas entrevistas, semidiretivas, no tinham unia estrutura fixa, rgida, o que permitiu aos adolescentes a livre expresso de suas 
preocupaes e dvidas, bem como a discusso de problemas que lhes interessavam. Todavia, procuramos obter, por parte de 
todos, informaes sobre as questes estudadas na pesquisa. 
A reduo dos efetivos, durante as diversas fases do trabalho, foi mais importante do que se esperava: 48 por cento dos 
adolescentes declararam, no questionrio, aceitar a entrevista; 26 por cento fixaram o encontro com o entrevistador e apenas 
21 por cento foram efetivamente entrevistados. 
As perdas foram grandes na populao masculina: entrevistamos 26 por cento das moas e apenas 12 por cento dos rapazes. A 
alta porcentagem de recusa por parte do elemento masculino no pode ser explicada apenas pelo fato de que o entrevistador era 
uma mulher. Em uma outra pesquisa que estamos realizando atualmente (tambm com entrevistas), este fenmeno no ocorreu. 
Por outro lado,  preciso notar que a reao dos alunos no foi a mesma em todas as classes. A anlise dos dados referentes s 
diferenas de reao, por classe e sexo, nos permite afirmar que um fenmeno de grupo interveio na aceitao ou recusa das 
entrevistas. 
Apesar do tamanho reduzido de nossa amostra, sobretudo com referncia ao elemento masculino, pudemos extrair dos dados 
obtidos observaes que nos parecem interessantes e teis. De qualquer forma, tendo em vista os objetivos de nosso estudo no 
considervamos indispensvel a constituio de 
* Oito entrevistas foram eliminadas da anlise (de dois rapazes e seis moas), em virtude de problemas tcnicos de gravao. 
* * Duas escolas de nvel mdio, tpicas da regio parisiense. Todos os alunos destas classes participaram da primeira parte da 
pesquisa. 
* * * Este grupo foi includo na amostra com o bjetivo de se observar a reao dos adolescentes em relao  pesquisa, fora do 
meio escolar. A aceitao das entrevistas foi, por exemplo, maior por parte dos jovens deste grupo. 
uma amostra grande de sujeitos. E importante assinalar que as tendncias (e no generalizaes) que pudemos colocar em 
evidncia, a partir dos resultados alcanados, se apoiaram na convergncia dos dados relativos aos aspectos mais importantes das 
questes estudadas. 
Em virtude da desigualdade numrica entre os dois sexos, fizemos um estudo comparativo complementar entre o grupo dos 16 
rapazes e uma amostra ao acaso de 16 moas. Os resultados deste estudo confirmaram as concluses principais apresentadas 
relativas a comparo com a populao feminina global. 
Vrios foram os pontos comuns encontrados nos comportamentos dos adolescentes dos dois sexos. Certas diferenas ntidas 
tambm foram observadas. Achamos interessante salientar estas diferenas, sem pretender generaliz-las. 
ANLISE DOS RESULTADOS 
Os resultados obtidos confirmaram a hiptese inicial referente as conexes entre os vrios comportamentos sexuais estudados: 
Estes comportamentos no se desenvolvem isoladamente, mas, ao contrrio, em relao uns com os outros: associam-se, 
completam-se e s vezes se excluem. 
Trs formas de comportamento foram encontradas, simultaneamente, em 47 por cento das moas e em 69 por cento dos 
rapazes: masturbao, sonhos acordados e namoro. Porm, apenas 12 por cento das moas e 31 por cento dos rapazes tiveram 
relaes sexuais propriamente ditas. 
A conexo entre masturbao e relaes interpessoais com tonalidade sexual parece evidente. E no se trata do fato de que, em 
alguns casos, a emergncia destas relaes (em particular do coito) possa conduzir  diminuio ou ao desaparecimento da 
masturbao, mas, ao contrrio, da coexistncia entre as duas formas de comportamento: 83 por cento das moas 
88 por cento dos rapazes que declararam masturbar-se tambm namoravam; 
53 por cento das moas e todos os rapazes que tiveram relaes sexuais tambm praticavam a masturbao. 
Em certos casos a masturbao foi mesmo reforada pelo namoro e pela relao sexual. Segundo as informaes dos 
adolescentes, este reforo foi devido ao fato de que o contato fsico com os parceiros, no namoro, aumenta a excitao e o 
desejo, sem oferecer uma satisfao plena. No caso dos que j tinham tido relao sexual, o aumento da masturbao parece 
explicar-se pela irregularidade desta relao. 
A masturbao foi tambm diretamente associada aos sonhos acordados 
com contedo sexual para 50 por cento dos rapazes e 24 por cento das 
33 moas que admitiram masturbar-se. Por outro lado, dentre estas ltimas, 
39 por cento admitiram a ocorrncia de sensaes fsicas de prazer ligadas 
aos sonhos. 
Estes devaneios com contedo sexual tambm foram associados s relaes erticas interpessoais: inspiram-se nestas relaes 
quando elas existem, ou permitem a sua realizao no plano imagInrio. Noventa por cento das moas e 79 por cento dos 
rapazes que namoravam tinham estes sonhos. Eles foram tambm encontrados em 82 por cento das moas e em 83 por cento 
dos rapazes que tiveram relaes sexuais. 
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Masturbao 
Nossos dados confirmaram a importncia do papel que a masturbao representa na adolescncia. Para os adolescentes 
entrevistados este comportamento no parece visar simplesmente a uma busca de praz: fsico (solitrio), mas pode constituir 
tambm um substituto ou um complemento para a relao interpessoal com tonalidade sexual, mesmo quando esta relao existe 
apenas no nvel da imaginao. 
Com exceo de dois rapazes que declararam s terem se masturbado quando mais jovens, os demais admitiram esta prtica no 
presente. Todos eles foram interrogados de maneira direta e suas respostas foram dadas, na maioria dos casos, sem hesitao. No 
entanto, apenas dois j tinham conversado a respeito com seus amigos. 
Ao contrrio, a maioria das moas mostrou-se embaraada para falar sobre o assunto. A despeito desta dificuldade, 56 por cento 
admitiram terem se masturbado (no passado apenas ou tambm no presente). Porm, apenas 37 por cento fizeram esta 
declarao de forma direta, sendo que 19 por cento negaram de incio para adniti-lo depois. Dentre as demais, 17 por cento 
disseram que talvez tenham se masturbado (no estavam bem seguras do fato!) ou que o tenham feito inconscientemente; 27 
por cento afirmaram nunca ter tido esse tipo de comportamento. 
Convm notar que as respostas femininas no podem ser interpretadas da mesma forma que as dos rapazes, pois para estes a 
masturbao no apresenta qualquer ambigidade. As respostas confusas ou as negativas iniciais das moas nem sempre 
significam falta de sinceridade deliberada. Algumas delas tiveram experincias indiretas e outras se limitaram a tmidas 
tentrtivas que no conduziram ao orgasmo. 
Embora os rapazes considerassem normal a masturbao, alguns (25 por cento) declararam ter dvidas a respeito deste 
comportamento ou sentimentos de vergonha com sua prtica (37 por cento). Quanto s moas, apesar da dificuldade e de um 
certo embarao para falar a respeito, as que admitiram masturbar-se no se sentiram mais culpadas do que seus colegas 
masculinos. A culpa ou vergonha foi indicada em 42 por cento dos casos e as dvidas em 24 por cento, sendo que as demais 
declararam no ter qualquer sentimento negativo neste campo.  interessante notar que a maioria das moas que hesitaram em 
responder  questo desaprovou este comportamento, o que talvez explique suas atitudes. 
Sonhos acordados com contedo sexual 
Estes sonhos ocupam um lugar importante na adolescncia. No representam apenas uma fuga diante da realidade, no sentido de 
uma busca de satisfao, no plano simblico, de desejos frustrados ou dificilmente realizveis. Ao contrrio, constituem parte 
integral e efetiva da vida do adolescente e uma das importantes fontes de satisfao ertica e mesmo afetiva nesta idade. 
Com exceo de trs rapazes, todos os outros adolescentes entrevistados (dos dois sexos) admitiram ter estes sonhos. Porm s 
as moas (algumas delas) os relataram. Em geral os rapazes disseram no se lembrarem do que sonham, embora 50 por cento 
deles associem os sonhos com a masturbao. Apenas oito moas fazem este tipo de associao, sendo que 13 outras se 
referiram a reaes fsicas (excitao ou sensaes de prazer) na regio genital, provocadas pelos devaneios. Esta associao 
evidencia a im portnci 
da imaginao na vida sexual. Ela indica, por outro lado, que nas atividades sexuais ditas solitrias o outro pode estar 
presente de forma sim.,lica. 
Enquanto as moas, em geral, pareceram mais  vontade para falar sobre esta questo, os rapazes mostraram-se mais lacnicos 
nas suas respostas. 
Namoro 
O namoro constitui a forma de expresso mais importante, no domnio das relaes interpessoais, durante a adolescncia. 
Todavia, deve-se notar que os adolescentes usam este termo para designar diferentes tipos de relaes: troca de olhares, curtos 
encontros (de um dia, por exemplo) ou relaes amorosas ditas mais srias e de longa durao, com pouco ou nenhum 
contato fsico ou ento com grande intimidade sexual, incluindo at mesmo a relao sexual. 
A intimidade sexual representa assim apenas uma parte do que consideram namoro. As primeiras experincias relatadas, por 
exemplo, tanto por rapazes quanto por moas, so geralmente despidas de qualquer conotao sexual e no tm uma 
importncia particular: so brincadeiras, so fruto de curiosidade, como eles prprios as descrevem. Por outro lado, estas 
experincias ocorrem em geral no incio da adolescncia, antes dos 15 anos. So relaes efmeras (um dia, uma semana, no 
mximo um ms).  verdade que os namoros que se sucedem tambm so relativamente de curta durao; poucos atingem alguns 
meses e raramente um ano ou mais. 
A maioria dos entrevistados (87 por cento) teve pelo menos uma experincia de namoro: dentre eles, 23 por cento s tiveram 
uma, 29 por cento duas e 48 por cento mais do que duas. 
Assim, o nmero dos que nunca namoraram  bem pequeno: dois rapa. zes e oito moas, sendo que um rapaz e quatro moas 
disseram que gostariam de ter uma experincia neste campo. A timidez no parece ter um papel importante, no caso, pois, 
dentre os sete rapazes e as 26 moas que se consideraram tmidos, a maioria (82 por cento) teve namoros. 
Enquanto que os rapazes se mostraram discretos ao falar de seus namoros e relaes sexuais, as moas em geral se mostraram 
bem  vontade para relatar suas relaes amorosas e at mesmo para se referir ao grau de intimidade com seus parceiros. 
Estas diferenas poderiam explicar-se em parte pelo fato de que o pesquisador era uma mulher. Porm, devemos lembrar que as 
mesmas jovens no falaram com tanta facilidade sobre a masturbao. 
Cinqenta e quatro por cento das adolescentes e 43 por cento dos rapazes tiveram com seus parceiros uma grande intimidade 
fsica: seja sem chegar  relao sexual propriamente dita (25 por cento das moas e 6 pos cento dos rapazes), seja com esta 
relao (37 por cento dos rapazes e 29 por cento das moas). 
Nas primeiras experincias de namoro, os intercmbios psicossociais entre os parceiros foram praticamente inexistentes ou 
muito superficiais. Os adolescentes pareceram agir por curiosidade em relao ao sexo oposto, ou para cumprir um ritual, 
para fazer como os outros (um certo conformismo social) - O fato de no ter um namorado no parece muito normal para 
alguns. 
Nos namoros seguintes, sobretudo nos considerados mais srios, a maioria dos rapazes (67 por cento) e das moas (63 por 
cento) admitiu sentir uma certa afeio pelos parceiros. 
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A intimidade psicossocial com o melhor amigo pareceu-no em muitos casos maior do que a atingida pelos adolescentes com 
seus namorados ou parceiros sexuais. Liniitamo-nos a registrar esta observao, pois nossa pesquisa no foi organizada com o 
propsito de permitir uma comparao sistemtic entre os intercmbios psicossociais nos dois tipos de interao. 
Relao sexual (coito) 
Para quinze moas e dois rapazes, o medo foi apontado como sendo a causa de no terem ainda tido relaes sexuais. 
Dentre os que tiveram esta experincia (seis rapazes e dezessete moas), pela primeira vez: 
 um rapaz e oito moas declararam estar apaixonados pelo parceiro. Os outros rapazes (83 por cento) e moas (53 por cento) 
disseram no sentir uma afeio especial pelo parceiro. Alguns disseram ter tido a primeira experincia por curiosidade, por 
prazer, para ter uma experincia, ou sem esperar. 
O amor no parece ter sido para estes jovens a condio indispensvel para aceitao da primeira relao sexual. 
Deve-se notar entretanto que os adolescentes enamorados de seus parceiros (rapazes e moas) falaram em geral com 
entusiasmo da profundidade de seus intercmbios nos seus contatos. Esta associao entre afeio e intercmbios verdadeiros 
parece ser importante e merece ser melhor estudada. 
Homossexualidade  Atitudes ambguas 
De maneira geral, muitos sujeitos ficaram embaraados quando interrogados sobre a homossexualidade, mesmo de forma abstrata 
e impessoal, pois no se lhes perguntou sobre eventuais prticas neste domnio.  interessante notar que os estudos 
psicanalticos j salientaram a importncia das ambivalncias no estabelecimento da heterossexualidade 
durante a adolescncia. 
Apenas quatro moas (nenhum rapaz) se referiram espontaneamente a experincias pessoais. 
No contexto da entrevista, alguns elementos parecem indicar atitudes ambguas face  
heterossexualidade, ou pelo menos face s relaes com os indivduos do mesmo sexo. 
Assim, por exemplo, 21 moas (36 por cento) revelaram uma aparente falta de interesse ou medo 
em relao ao sexo oposto, atitudes ambguas em relaes s amigas ntimas (vnculos 
demasiadamente profundos e estreitos, cimes e jogos homossexuais). 
Entre os rapazes, tais atitudes foram detectadas atravs de suas dif iculdades em relao ao sexo 
oposto (30 por cento) e/ou atravs do medo ou de atitudes ambguas em relao  sexualidade (25 
por cento). 
CONCLUSES 
Nossos resultados indicam que a vida sexual do adolescente caracteriza-se pelo fato de que as formas de comportamento 
estudadas constituem fontes de satisfao sexual e que podem ter uma importncia equivalente, nesta idade, mesmo se uma delas 
ocupa um lugar privilegiado em determinados momentos: estas formas de comportamento se associam, se substituem e em 
geral se completam. 
As diferenas de reao, observadas entre os adolescentes dos dois sexos diante de certas questes, parecem ligadas  influncia 
de normas e expectativas sociais no domnio da sexualidade. Assim, por exemplo: 
 a masturbao  mais facilmente aceita, mesmo atualmente, para os rapazes do que para as moas; 
 atribui-se aos sonhos acordados (com ou sem contedo ertico) uma conotao negativa, no caso dos indivduos do sexo 
masculino; 
 fazer confidncias sobre as prprias relaes amorosas  geralmente considerado como um trao mais feminino. 
Nossos resultados indicam tambm que os sonhos acordados com contedo ertico fazem parte integral da vida normal do 
adolescente. Porm, nem nosso estudo, nem outros j realizados nesta rea, oferece elementos para se avaliar 
bem sua significao nesta idade. 
Enfim, nossos resultados confirmam a idia de Erikson (1968), segundo a qual a intimidade sexual precede 
freqentemente uma verdadeira intimidade psicossocial, nas relaes interpessoais entre adolescentes. 
Pudemos fazer certas observaes interessantes sobre os modos e funes das interaes sociais na adolescncia, tanto no que se 
refere s relaes interpessoais com conotao sexual, quanto nas relaes de amizade. 
Estas observaes nos levam a salientar a necessidade e a importncia da realizao de estudos especiais que permitam 
aprofundar a idia do Outro 
 seu papel e sua significao  e compreender os progressos na diferenciao eu/outro nas relaes entre adolescentes amigos 
ou parceiros sexuais. 
Possumos poucas informaes sobre o lugar e a importncia que as relaes interpessoais (sexuais e de amizade) tm para o 
adolescente, como ele as utiliza na sua vida presente, que significao podem ter na construo de sua identidade, em particular 
de sua identidade sexual. 
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2. Aquisio da noo de conservao por intermdio de um procedimento de escolha do 
mpar (Oddity Learning) * 
Lino de Macedo * * 
Maria Bernadete Amndola * * * 
RESUMO 
O objetivo desta pesquisa foi o de investigar um procedimento, mais eficaz do que os j adotados, para produzir a aquisio 
experimental da noo de conservao por intermdio de um procedimento de escolha do mpar, o que foi feito adaptando-se 
aquele procedimento ao paradigma de uma prova de conservao. 
Usou-se o paradigma pr-teste  treino  ps-teste. No pr-teste, os sujeitos foram avaliados pelo Concept Assesment Kit  
Conservation (CAKC) 
 Forma A. Os sujeitos classificados como no-conservadores foram distribudos em trs grupos (N = 8, para cada grupo). Os 
Grupos 1 e II foram submetidos ao procedimento j mencionado, exceto que, para o Grupo 1, a dimenso relevante era a 
quantidade, enquanto que, para o outro, a cor. O Grupo III no passou pelo treino. Havia, tambm, um Grupo IV (N = 8), de 
sujeitos mais velhos e classificados como conservadores no pr-teste, apenas para informar sobre as dificuldades das tarefas 
realizadas pelo Grupo 1. Adotou-se um Procedimento de Correo. Foram realizados dois ps-testes, um Imediato e outro 
Atrasado (25 dias depois), em que se utilizou, resnectivamente, as Formas B e A ou B do CAKC. Os resultados indicaram que o 
Grupo 1 obteve melhores classificaes no CAKC em ambos os ps-testes. Esta diferena foi maior na prova a que o treino se 
referiu especificamente 
 a de Quantidade Descontnua  em que sete dos oito sujeitos passaram a Conservador. Foram discutidos vrios aspectos quanto 
ao procedimento adotado bem como sobre a possvel contribuio do presente experimento 
* Reproduzido, com permisso, de Psicologia, 6(1): 25-42, 1980. 
** Universidade de So Paulo. 
* * * Ps-Graduao do Instituto de Psicologia da Universidade de So Paulo. 
para . superao da controvrsia atual a respeito da importncia dos pontos de vista da aprendizagem (Gelman) ou da 
equilibrao (Piaget-Halford) para a aquisio experimental da noo dc onservao. 
ABSTRACT 
We intended to investigate a more effective way of acquiring the conservation notion, using oddity learning. For this purpose 
we adapted this training procedure to the conservation task paradigm. For the Pre-test the Concept Assesrnent Kit  
Conservation (CAKC), Form A, was used. The non-conserver subjects (N = 24) were equally distributed in three groups (N = 8). 
Groups 1 and II underwent the oddity learning procedure, with the difference that the relevant dimension for the first one was 
quantity, whereas for the second one it was colour. Group III was given no training. There was also a conserver group (N = 8) 
which received the sarne training as Group 1 and was used to establish a comparison between the difficulties faced by the two 
groups during the training. A correction procedure followed. Two Post-tests were then made, an Immediate and a Late (25 days 
later) one, using CAKC A or fi Forrns. Group 1 got better results than the other groups iii both post-tests, specially iii the 
Discontinuous Quantity task (for which Group 1 subjects had been specifically trained) in which 7 of the 8 subjects were 
classified as conserver. We discussed the possible contributions of the adopted procedure to elucidate the controversy between 
the learning (Gelman) and the equilibration (Piaget-Halford) points of view concerning the experimental acquisition of the 
conservation notion. 
O primeiro estudo, que se sabe, sobre a aquisio experimental da noo de conservao em que se usou um procedimento de 
escolha do mpar  oddity learning (Macedo, 1975)  foi o realizado por Gelman (1969). Sua pesquisa pode ser considerada 
corno uma das mais importantes nesta rea, no s pelos resultados surpreendentes que obteve, como tambm pelas discusses 
tericas que suscitou. 
Em seu estudo, Gelman (1969) submeteu sujeitos, classificados como no conservadores nas provas de noo de conservao de 
comprimento, nmero, lquido e substncia, a um treino em que deveriam escolher de uma trade de objetos aqueles que eram os 
mesmos, ou o que era diferente. Para um grupo de sujeitos a dimenso a ser escolhida era a forma dos objetos, enquanto que para 
um outro, a quantidade, sendo que, neste caso, em metade dos problemas o nmero era a dimenso relevante e, em outra, o 
comprimento. Havia, tambm, um terceiro grupo de sujeitos, o de controle, que no passou pelo treino. Considerando que a 
noo de conservao refere-se  capacidade de a criana compreender que a dimenso quantitativa de um objeto no se altera se 
este for submetido a transformaes em outras dimenses  como, por exemplo, sua forma ou posio (Piaget e Inhelder, 
1941/1975), supunha Gelman que, graas ao seu procedimento, parte dos sujeitos est2 ria sendo treinada a atentar para a 
dimenso relevante, numa prova sobre noo de conservao  a quantitativa. Como estes sujeitos se comportariam, numa 
avaliao ps-treino, comparativamente aos outros grupos? De fato, seus resultados indicaram que, aproximadamente, 95% dos 
sujeitos pertencentes a este grupo responderam corretamente a situaes envolvendo noes de comprimento e nmero (a que o 
treino se referiu espec eamente), bem como, aproximadamente, 55% dele, para situaes de substcia e lquido (teste de 
generalizao). J o grupo treinado a atentar para tra dimenso irrelevante  noo de conservao  a forma, no caso 
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, bem como o grupo controle, alcanou resultados praticamente nulos. A surpresa destes resultados, insistimos, se deveu ao fato 
de que, nesta poca, uma modificao das respostas de conservao, em funo do treino, em torno de 75%, era algo bastante 
auspicioso (Macedo, 1975) e Gelman tinha alcanado um xito quase total! 
Essa autora (Gelman, 1969) interpretou a eficcia de seu procedimento como devida ao fato de ter proporcionado um trejno em 
dois aspectos bsicos, segundo ela,  aquisio da noo de conservao: ateno e discriminao. Ora, isto era inusitado, 
por duas razes. De um lado, muitos outros aspectos, com base em outros procedimentos de treino, tinham sido considerados 
como fundamentais para explicarem a aquisio da noo de conservao (Wallach, 1969); por outro lado, a interpretao de 
Gelman, de certa forma, contrariava a posio de Piaget sobre os fatores responsveis pela construo desta noo (Piaget e 
Szeminska, 1941/1975). Halford (1970) dedicou um longo artigo analisando estes dois modos  que ele chamou de ponto de vista 
da aprendizagem (Gelman) e da equilibrao (Piaget)  de explicar a aquisio da noo de conservao. Por isso, para os 
propsitos do presente artigo, basta lembrar, talvez, que do ponto de vista da aprendizagem a aquisio da noo de conservao 
seria algo equivalente  aquisio de outros conceitos psicolgicos em que a aplicao de certos princpios como reforamento, 
punio, discriminao etc., das respostas seria suficiente. Gelman (1969) defende este ponto de vista porque, como j 
mencionado, para ela a noo de conservao  funo de o sujeito aprender a atentar para a dimenso relevante (a quantidade), 
pois o sujeito no conservador atenta para outras dimenses (tamanho, forma, cor etc., dos objetos);  funo da discriminao, 
tambm, porque o sujeito deve ser controlado por apenas uma dimenso do objeto (a quantitativa). Assim, para este ponto de 
vista, a dimenso quantitativa do objeto  a relevante, enquanto que as outras, irrelevantes. Para o ponto de vista da 
equilibrao, ao contrrio, todas as dimenses seriam relevantes e ter noo de conservao no seria apenas uma questo de 
discriminao ou ateno, mas, sim, de uma multiplicao lgica das relaes, o que d como resultado uma transformao 
nula no que diz respeito  quantidade porque uma alterao, por assim dizer, na largura do objeto  sempre compensada por uma 
equivalente na altura. Assim o sujeito no conservador  justo aquele que acredita, por exemplo, que h mais massa na salsicha 
do que na bolinha porque aquela est mais comprida, no considerando o fato de que ao ser encompridada foi diminuda, em 
igual proporo, em outras dimenses, ainda que permanecendo inalterada quanto a sua quantidade. 
Tais divergncias, sobre o carter multidimensional ou unidimensional da noo de conservao bem como sobre os papis 
da discriminao e ateno em sua aquisio, despertaram o interesse de alguns pesquisadores a respeito destes problemas, dado 
que o prprio estudo de Gelman (1969) pode ser tido como um mau teste de seu ponto de vista, pois esta autora, para o treino 
do grupo experimental, adotou o critrio de usar, como mencionado, problemas em que nmero e comprimento eram as 
dimenses relevantes. O primeiro destes estudos  o de Christie e Smothergill (1970) que replicaram o de Gelman mas usando 
sujeitos um ano mais novos e considerando apenas a dimenso comprimento como relevante. Os resultados indicaram que 
nenhuma criana deu respostas de conservao no ps-teste. As explicaes para as diferenas entre estes resultados, segundo 
aqueles autores, foram as de que os sujeitos de Gelman eram mais velhos e foram submetidos a problemas em que ora o nmero 
era a dimenso relevante, ora o comprimento, um fator crucial para Halford (1970) que considera a 
noo de conservao de comprimento intrinsecamente relacionada com a de quantidade. 
Em 1977, Vadhan e Smothergill publicaram um artigo sobre uma pesquisa complementar  de Christie e Smothergill (1970), 
replicando novamente o procedimento de treino utilizado por Gelman (1969) mas usando, ainda, crianas mais novas e 
subdividindo-as, na fase de treino, em quatro grupos assim distribudos: 1.0) treino em comprimento, 2.0) treino em nmero, 3.) 
treino em comprimento e nmero e 4.) controle. Os resultados indicaram que o terceiro grupo foi significativamente melhor 
do que o primeiro e o segundo e que estes foram significativamenle melhores do que o controle. Para eles, estes resultados deram 
apoio ao que designaram weak attenhion hipotesis em contraposio a uma strong attention hipotesis na medida que o grupo 
treinado a considerar as duas variveis foi melhor do que os outros. A propsito, a weak attention hipotesis seria comparvel ao 
j mencionado ponto de vista da equilibrao, pois considera a noo de conservao como algo multidimensional e refora 
assim a posio de Halford 
(1970). 
Um outro estudo que se insere nesta rea de problemas sobre a importncia do procedimento de escolha do impar na aquisio da 
noo de conservao  o realizado por May e Tisshaw (1977). Nesta pesquisa estes autores usaram tambm um procedimento 
baseado no de Gelman (1969). Como nos estudos citados anteriormente, um dos grupos experimentais recebeu treino em 
comprimento, outro em nmero e outro em treino misto, isto , em nmero e comprimento. No ps-teste, os autores 
verificaram que o grupo que recebeu um treino misto foi significativamente melhor do que os outros dois, quanto  prova de 
conservao de quantidade (a que o treino se referiu especificamente), enquanto que no houve transferncia especfica para as 
provas de lquido e massa. Novamente, esta pesquisa replicou os dados de Gelman (1969) sobre a importncia de seu 
procedimento para aquisio da noo de conservao bem como confirmou o ponto de vista de Halford (1970) de que um 
treino em nmero e comprimento seria mais eficaz do que um treino em apenas uma dimenso. 
Em resumo, as pesquisas at aqui relatadas, excetuando-se a de Christie e Smothergill (1970), confirmaram dois pontos de vista 
aparentemente antagnicos: o da eficcia de procedimentos de discriminao na aquisio da noo de conservao  o que 
confirma as consideraes de Geinian e o ponto de vista da aprendizagem  principalmente quando os problemas de treino levam 
eit :onta duas dimenses relevantes a aquisio da noo de conservao de quantidade (nmero e comprimento, no caso)  o 
que confirma as consideraes de Halford e o ponto de vista da equilibrao. 
Tendo em vista essa polmica, concebemos a presente pesquisa. O objetivo dela foi verificar se, adotando-se um procedimento 
de escolha do mpar um pouco diferente dos j mencionados, isto , mais adaptado ao paradigma de uma prova de conservao 
(Macedo, 1973), poder-se-ia alcanar resultados mais favorveis mesmo considerando apenas uma dimenso como relevante. 
Contudo, o presente estudo, como ser discutido, no constitui um teste definitivo sobre este assunto mas, pelas modificaes 
introduzidas no procedimento do treino e peloF resultados alcanados, pode contribuir para uma modificao de seu estado atual. 
Na presente pesquisa, a avaliao das provas de conservao foi feita pelas Escalas A e B do Concept Assesment Kit  
Conservation (CAKC), de Goldschmid e Bentler (1968) que constitui uma forma padronizada de aplicao e avaliao de seis 
provas de conserva- 
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o: espao bidimensional, nmero, substncia, quantidade contnua, peso e quantidade descontnua. Alm disso, trata-se de um 
material comercialmente disponvel pelo Educational Testing Service (San Diego, California, EUA) e utilizado em muitas 
pesquisas. 
METODO 
SUJEITOS. Nesta pesquisa foram utilizados trinta e dois sujeitos (Ss), metade de cada sexo, sendo vinte e quatro alunos de escola 
pr-primria, e oito da primeira srie da escola de primeiro grau. Pertenciam, respectiva- mente,  faixa etria compreendida 
entre cinco anos e oito meses e entre sete anos e oito meses. Todos os Ss foram considerados como normais em termos de 
sade e rendimento escolar por seus professores bem como pertenciam a um extrato social caracterizvel como de baixa renda. 
MATERIAL. Na Primeira, Terceira e Quarta etapas desta pesquisa (ver Procedimento) foram utilizados os materiais para a 
aplicao das Formas A e B do Concept Assesment Kit  Conservation (CAKC) de Goldschmid e Bentler (1968). Na primeira 
Etapa fQram utilizados, alm disso, quatro recipientes de vidro translcido e transparente, de mesmas dimenses (5,5 cm de 
dimetro por 10,0 cm de altura). Na Segunda Etapa (ver Procedimento), para dois dos grupos experimentais (1 e IV) foi 
utilizado um conjunto de recipientes subdivididos quanto  altura e dimetro em trs medidas (5,0; 10,0 e 15,0 cm e 5,5; 7,5 e 
10,5 cm, respectivamente), sendo que para cada combinao havia seis recipientes, portanto, um total de cinqenta e quatro. 
Para outro grupo (II), foi utilizado um conjunto de slidos geomtricos, divididos em trs formas (cubo, tetraedro e cone) e trs 
tamanhos (pequeno, mdio e grande), sendo que, igualmente, para cada combinao havia seis slidos e um total de 
cinqenta e quatro. Estes slidos eram de diferentes cores. Ainda nesta etapa, e para todos os grupos experimentais, foi utilizada 
uma caixa de madeira, em forma de trapzio retngulo, possuindo na face vertical um painel de comando que permitia o 
acendimento ou no de lmpadas inseridas no interior da caixa e, na face inclinada, um painel de escolha (composto de trs 
receptores proporcionalmente distribudos). Estas faces eram de acrlico leitoso, translcido. Fizeram ainda parte do material, 
nesta etapa, dezoito fichas vermelhas. 
PROCEDIMENTO. A pesquisa foi realizada na prpria escola dos sujeitos, numa sala de aula comum, mas estando presentes 
apenas o experimentador e a criana. 
O experimento foi desenvolvido em quatro etapas: Pr-teste, Treino, Ps-teste Imediato e Ps-teste Atrasado. Na Figura 1 
apresenta-se o esquema do procedimento adotado em cada uma destas etapas. 
Primeira Etapa. O objetivo desta etapa foi, em primeiro lugar, verificar a habilidade verbal dos sujeitos em utilizar os termos 
comparativos mais, menos e mesmo tanto, o que foi feito por intermdio de um Teste Verbal de Termos Comparativos. 
Este teste, baseado em Brison e Bereiter (1967), consistia basicamente em o experimentador apresentar ao sujeito dois 
conjuntos de quatro objetos (blocos de madeira ou recipientes de vidro), tendo dois o mesmo tanto  de blocos ou de gua, um 
mais e outro menos 
 e solicitar dele esta comparao. Em segundo lugar, o objetivo desta etapa foi verificar o nvel de aquisio da noo de 
conservao dos sujeitos. isto foi feito por intermdio da aplicao da Forma A do CAKC a qual  composta, como 
mencionado, de seis provas. S passaram  etapa seguinte os Ss do pr-primrio aprovados no Teste Verbal de Termos Com- 
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parativos e que foram classificados como no-conservadores em todas as provas. Igualmente, s passaram  etapa seguinte os Ss 
da primeira srie classificados como conservadores em todas elas. Esta etapa foi realizada em uma nica sesso experimental, 
com uma durao mdia de quinze minutos, para cada sujeito. 
Segunda Etapa. O objetivo desta etapa foi submeter parte dos sujeitos 
a um treino baseado no procedimento de escolha do mpar, adaptado ao 
 paradigma de uma prova de noo de conservao. Para isso, os Ss no-con servadores foram igualmente subdivididos em trs 
grupos (Grupo 1, II e III) 
e os sujeitos conservadores compuseram um quarto grupo (Grupo IV). Destes 
grupos, apenas o Grupo III no realizou atividade experimental nesta etapa. 
Os Ss pertencentes aos Grupos 1 e IV foram submetidos a um conjunto 
de vinte e sete prticas  distribudas em trs sesses, nove para cada uma 
 com nvel de complexidade crescente intra-sesso e similar intersesses. 
Cada prtica fo subdividida em duas partes. Tanto na primeira como na 
segunda parte o sujeito era solicitado a escolher, em uma trade de objetos- 
estmulo, aquele cuja dimenso relevante  quantidade de lentilhas no caso 
dos Grupos 1 e IV ou cor no caso do Grupo II  era diferente dos outros 
dois. A diferena entre a primeira e a segunda partes de cada prtica era 
que, na primeira, os objetos tinham as dimenses irrelevantes  altura e 
dimetro dos recipientes no caso dos Grupos 1 e IV, ou forma e tamanho 
dos slidos geomtricos, no caso do Grupo II  iguais e na segunda estas 
dimenses podiam ser diferentes. 
Supe-se que a subdiviso de cada prtica em duas partes, da forma 
como foi feita, possibilitou sua adaptao ao paradigma de uma prova de 
conservao (Elkind, 1967), dado que esta implica em primeiro apresentar 
ao sujeito dois objetos ou conjuntos iguais tanto do ponto de vista quanti tativ como do de outras dimenses e, segundo, em 
alterar estas dimenses 
mantendo inalteradas as relaes entre os objetos ou conjuntos quanto  
primeira. 
Na Figura 2, apresentam-se exemplos de prticas usadas para os Ss dos 
Grupos 1 e IV. 
Nesta figura pode ser observado que na primeira parte das prticas  
a trade que fica na parte superior de a, b, c e d  os estmulos so iguais 
entre si quanto  altura e dimetro (largura, no caso), tendo dois o mesmo 
tanto de lquido e um, mais ou menos. J na segunda parte  a trade 
que fica na parte inferior  os estmulos so diferentes entre si, em maior 
ou menor grau, quanto s dimenses irrelevantes  altura e dimetro  
mantendo, todavia, a mesma relao, quanto  dimenso relevante (quanti dad de lentilhas, no caso), uma vez que o contedo 
dos recipientes usados 
na primeira parte foi totalmente transvasado para os da segunda. A flecha, 
de linha pontilhada, indica que na segunda parte as mudanas de posio 
dos estmulos com relao  primeira. O mesmo ocorreu, mutatis mutandis, 
quanto s prticas usadas para o treino do Grupo II. 
Por intermdio da Figura 2, pode-se ilustrar o procedimento tpico usado 
em cada prtica: Na primeira parte, o experimentador dispunha sobre a 
caixa os trs objetos-estmulo e instrua o sujeito para escolher (mediante 
uma presso no interruptor que estava em correspondncia direta com 
uni dos objetos) o objeto mpar, isto , que era diferente dos outros 
dois quanto  dimenso relevante. Se esta resposta fosse correta, uma lm pad acenderia e o sujeito receberia uma ficha. Isto 
posto, passava-se  
segunda parte da prtica que consistia em substituir, frente ao sujeito, os 
objetos-estmulo por outros de dimenses irrelevantes total ou parcialmente 
diferentes, mantendo-se inalterada as relaes com a dimenso relevante, na 
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tica bem como chamava a ateno do sujeito para as diferenas quanto  dimenso relevante, entre os objetos-estmulo. Em 
C3, tanto na pimeira como na segunda parte, o experimentador fornecia a instruo verbal da regra (Macedo, 1975) que 
consistia em explicar, por demonstrao, qual era a resposta correta. 
No final de cada uma das trs sesses desta etapa, as fichas acumuladas 
durante a sesso (um total de dezoito) eram trocadas por balas. Cada sesso 
durou, em mdia, vinte e cinco minutos. 
Terceira e Quarta Etapas. Nestas etapas todos os Ss foram de novo avaliados quanto  noo de conservao, por 
intermdio do CAKC. Na Terceira Etapa, realizada imediatamente aps a anterior, mas com o mnimo de um dia de 
intervalo, foi utilizada a Forma B, que  paralela  Forma A, 
primeira parte. Repetia-se a instruo inicial. As conseqncias para o caso de respostas eram tambm as mesmas. 
Adotou-se um procedimento de correo (C1, C2 e C3) para o caso de respostas de escolha incorreta tanto na primeira 
como na segunda partes de cada prtica. Em C1, se a resposta de escolha incorreta fosse na primeira parte, o 
experimentador chamava a ateno do sujeito para a dimenso relevante; se fosse na segunda, o experimentador recomeava 
a prtica. Em C2, se fosse na primeira parte, o experimentador chamava a ateno do sujeito para as diferenas quanto  
dimenso relevante, entre os objetos-estmulo; se fosse na segunda parte, recomeava a pr- 
0 
Figura 2. Exemplos de prticas usadas para os Ss dos Grupos 1 e IV. 
Figura 1. Esquema do procedimento adotado. 
o 
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usada na Primeira Etapa. Na Quarta, realizada em mdia vinte e cinco dias aps a anterior, foi utilizada, mediante sorteio 
casual e equiprovvel, para metade dos sujeitos a Forma A e para a outra metade a B. 
Cada uma destas etapas foi realizada numa nica sesso experimental, com durao mdia de quinze minutos, sendo 
tambm adotado o critrio de se dar balas ao sujeito no final da sesso, independentemente de seu desempenho. 
RESULTADOS 
Comparao entre o Pr-teste e os Ps-testes. Por intermdio da comparao entre as classificaes no CAKC, tanto no Pr-
teste como nos Ps- testes, obtidas pelos sujeitos, distribudos segundo o grupo experimental a que pertenceram na fase de 
treino, pode-se verificar quais foram os resultados desta pesquisa, quanto ao seu objetivo principal. Estes resultados esto 
apresentados na Figura 3. Nesta figura, apresenta-se o nmero de sujeitos que foram classificados como Intermedirio ou 
Conservador em cada uma das provas que compem o CAKC. A informao desta distribuio, comparativamente ao sexo dos 
sujeitos, foi omitida porquanto as %iiferenas de desempenho quanto a esta varivel foram nulas ou totalmente negligenciveis. 
Alm disso, optou-se por indicar, na mesma coluna, a condio do sujeito classificado como Intermedirio ou Conservador nas 
provas do CAKC porque entendeu-se que mesmo a alterao  no-conservador intermedirio 
, em funo do treino, era significativa para os propsitos do presente experimento. Finalmente, no se apresentou os dados 
relativos ao Grupo IV que, como mencionado, passou por um treino equivalente ao Grupo 1, pois esse grupo, constitudo por 
sujeitos conservadores j no Pr-teste, teve apenas a funo de servir de controle para as possveis dificuldades das prticas 
usadas no treino para o Grupo 1. 
Quanto s comparaes entre os grupos pode-se ver claramente que, em todas as provas do CAKC, o Grupo 1 foi superior aos 
outros tanto no Ps-teste Imediato quanto no Atrasado. Esta diferena foi maior, como seria espervel, no que diz respeito  
prova a que o treino se referiu especifica- mente  a de Quantidade Descontnua  em que sete dos oito (87%) sujeitos do Grupo 1 
passaram  classificao de Conservador nos Ps-testes sendo que os aumentos ocorridos nos outros grupos foram bem menores 
que os daquele. Quanto s outras provas do CAKC as modificaes ocorridas no Grupo 1 foram menores mas sempre superiores 
aos dos outros grupos. Quando s diferenas de desempenho entre o Ps-teste Imediato e o Atrasado pode-se constatar que, para 
a maioria dos casos, estas foram sempre no sentido positivo, tendo apenas ocorrido um caso na direo negativa. Quanto aos 
sujeitos classificados como Intermedirio, o nmero deles foi pequeno  nunca superior a dois  em todas as provas e para todos 
os grupos. Alm disso, o nmero de sujeitos classificados neste nvel foi, de modo geral, maior no Ps-teste Imediato do que no 
Atrasado. 
Desempenho dos sujeitos durante o treino. O desempenho dos sujeitos durante o treino, comparativamente s outras etapas,  
apresentado na Figura 4. Nesta figura omitiu-se, igualmente, os dados do Grupo IV e, naturalmente, os do Grupo III, que no 
passaram por esta etapa. Alm disso, os dados apresentados para as Terceira e Quarta Etapas repetem parte daqueles da Figura 3, 
s que no distinguindo os nveis Intermedirio ou Conservador 
 dos sujeitos. O objetivo desta repetio de forma algo modificada foi 
Figura 4. Classificao dos sujeitos nas trs ltimas fases da pesquisa. (Nota: 
No caso da 2.a etapa, as respostas corretas se referem  primeira tentativa seja da primeira ou segunda parte de cada prtica, 
enquanto no caso da 3a e 4a etapas significam que o sujeito est em um nvel intermedirio ou de conservao). 
permitir mais facilmente ao leitor esta comparao direta entre o desempenho dos sujeitos no treino (Segunda Etapa) e nos 
Ps-testes Imediato ou Atrasado (isto , na Terceira ou Quarta Etapas). 
Quanto aos resultados na Segunda Etapa, observa-se que as maiores dificuldades ocorreram, tanto para o Grupo 1 como para o 
II, na segunda parte das prticas sendo que, para ambos, ocorreu a tendncia de melhoria do desempenho da primeira para a 
terceira sesso. Quanto  comparao entre o desempenho na Segunda Etapa e nas demais observou-se uma relao iaversa 
(considerando apenas a segunda parte das prticas), isto , o Grupo II que na Segunda Etapa foi melhor do que o 1, nas etapas 
seguintes teve um desempenho bem prximo ao do Grupo III, de controle. J o Grupo 1 que, repetindo, recebeu um treino de 
ateno e discriminao de uma dimenso relevante numa prova de conservao, apresentou mais respostas incorretas, durante 
o treino e considerando apenas a segunda parte das prticas, do que o Grupo II  treinado numa dimenso irrelevante , mas teve 
um desempenho bem melhor do que este nas avaliaes ps-treino. 
DISCUSSO. A presente pesquisa apresenta alguns aspectos comuns s pesquisas, j citadas, que utilizaram o procedimento de 
escolha do mpar na fase de treino. Nesta, como nas outras, adotou-se o paradigma: Pr-teste  Treino  Ps-teste, sendo que um 
dos grupos de sujeitos  o chamado Controle (ou Grupo III)  no passou pelo treino, com o fim de se veri 60 
o 
o 
o 
o. 
e 
Segunda 
Terceira 
Etapas 
Quarta 
90 
91 
ficar as aquisies naturais dos sujeitos durante o perodo experimental. Alm disso, adotou-se, o que no  usual, um outro grupo 
controle, o Grupo IV, constitudo por sujeitos conservadores j no Pr-teste, com o objetivo de verificar se as prticas de treino, 
para o Grupo 1, apresentavam ou no muitas dificuldades para este grupo. Os dados, contudo, indicaram que a composio deste 
grupo foi desnecessria uma vez que  muito difcil aquilatar as dificuldades de um grupo (o Grupo 1) por outro com 
caractersticas bem diferentes (o Grupo IV). Assim, sugere-se que, em prximas pesquisas, este grupo no seja considerado. Foi 
por isso mesmo que, mesmo na presente pesquisa, optou-se pela no incluso dos dados relativos a este grupo. Por outro lado, a 
presena dos outros dois grupos, considerveis, tambm, como de controle  o Grupo II e o Grupo III  pode ser tida como 
necessria. Pelo Grupo II, pde-se verificar se o contedo das prticas de treino, quando no diretamente relacionado com a 
noo de conservao, era algo importante ou no. Isto , ser que a simples adaptao de um procedimento de escolha do 
mpar ao paradigma de uma prova de conservao seria suficiente para modificar o nvel cognitivo dos sujeitos? Como visto, os 
resultados indicaram que no. A importncia deste grupo decorre, portanto, do fato de permitir isolar a influncia das variveis: 
procedimento de treino e contedo das prticas. Pelo Grupo III, que no passou pelo treino, pde-se comparar os ganhos 
experimentais com relao aos naturais, permitindo-se constatar com melhor clareza os efeitos do treino, uma vez que todos os 
grupos, no incio do experimento, encontravam-se em condies iguais. Por outro lado, os resultados observados nos ps-testes, 
comparativamente aos Grupos 1 e III, permitiram avaliar mais precisamente a magnitude da aquisio experimental observada 
para o Grupo 1, j que indicou que os ganhos naturais, observados para o Grupo III, no explicam os progressos apresentados nos 
sujeitos daquele grupo experimental. Alm disso, o desempenho dos sujeitos do Grupo III no ps-teste indica que um curto 
espao de tempo (tal como o adotado neste experimento) ou a mera repetio das provas de conservao no so suficientes, 
por si s, para a aquisio da noo de conservao. 
Outro aspecto comum, entre este experimento e os que utilizaram o mesmo procedimento de treino,  o de ter adotado, na fase 
de treino, o procedimento de escolha do mpar tendo como contedo das prticas para o grupo experimental uma dimenso 
relevante  noo de conservao  a quantitativa. Neste sentido, o presente experimento replica os dados de Gelman (1969) de 
que  muito importante que a dimenso relevante seja a quantitativa, uma vez que outras dimenses (cor, no caso deste 
experimento, ou forma, no caso do de Gelman) no produzem os mesmos efeitos. Alm disso, adotou-se, tambm, o critrio de 
incluir nas avaliaes dos ps-testes, alm da prova a que o treino se referiu especificamente  Prova de noo de conservao 
de Quantidade Descontnua  outras provas para se verificar o efeito de generalizao dos ganhos experimentais. A incluso de 
um Ps- teste Atrasado, tal como o fez Gelman (1969),  considerada tambm como muito importante, pois permitiu constatar 
se os efeitos observados se mantm um ms depois do treino. 
Finalmente, um outro aspecto comum entre este experimento e os outros  o de ter comprovado, uma vez mais, a eficcia do 
procedimento de escolha do mpar na aquisio da noo de conservao no s em termos especficos da prova a que o treino 
se referiu, bem como a outras provas. 
Apesar dos aspectos comuns, o presente experimento discrepa um pouco dos outros, por razes que interessa discutir. A 
diferena mais importante est naturalmente no fato de que no presente experimento, ao contrrio dos 
outros, foi possvel verificar que, sob condies metodolgicas mais adequadas,  possvel a aquisio experimental da noo de 
conservao, tendo-se apenas uma dimenso quantitativa como relevante, o que ocorreu pelo menos para 83% dos sujeitos do 
Grupo 1. Como mencionado, os resultados observados a este respeito foram totalmente nulos ou bem menores, em outras 
pesquisas. A eficcia do procedimento de escolha do mpar, tal como observada no presente estudo, apesar de se ter considerado 
apenas uma dimensao relevante, deveu-se, acredita-se, de um lado,  adaptao deste procedimento ao paradigma de uma prova 
de conservao e, de outro, ao procedimento de correo adotado. 
A adaptao do procedimento de escolha do mpar implicou, como mencionado, em subdividir as prticas de treino em duas 
parte, sendo que na primeira os objetos eram iguais entre si quanto s dimenses irrelevantes e, na segunda, estas dimenses 
eram alteradas mantendo-se, todavia, as relaes quanto  dimenso relevante. Da forma como as prticas se desenvolveram, o 
sujeito era levado, durante a realizao do treino, a considerar as transformaes que occrriam entre a primeira e a segunda 
partes de cada prtica, uma vez que esta informao era essencial para a emisso das respostas que, como visto, eram 
recompensadas. Isto , o sujeito deveria acompanhar o transvasamento e a nova posio do objeto escolhido como mpar na 
primeira parte, pois as modificaes introduzidas nas outras dimenses dos recipientes poderiam conduzi-lo ao erro. Este 
procedimento, da forma como realizado, talvez tenha levado o sujeito a deixar de considerar a primeira e a segunda partes de 
cada prtica como dois estados independentes, para consider-los como uma situao nica, levando em conta as 
transformaes que os tornavam dependentes e logicamente coerentes. Em suma, o sujeito pode ter sido levado a atentar para 
as transformaes mais que para os estados. A propsito, segundo Piaget (1971, p. 19) o que deve ser reforado  para 
acelerar o desenvolvimento das estruturas cognitivas   o aspecto operativo  no a anlise dos estados, mas a compreenso 
das transformaes. Esta mudana, para a teoria de Piaget,  fundamental. Como se sabe, uma das caractersticas do sujeito no 
conservador  a de se centralizar sobre estados e no sobre transformaes (Piaget e Inhelder, 1941/ 1975; Piaget e Szeninska, 
1941/1976). Esta caracterstica faz, por exemplo, com que um mesmo sujeito que admitiu a equivalncia quantitativa entre A e 
B uma vez modificando-se a forma de B para B1 j no mais admita a sua equivalncia quantitativa com A. Isto , considera A e 
B e A e B1 como dois estados independentes e no se admira da contradio de suas respostas, pois a mudana da forma  uma 
transformao nula para a da quantidade. Esta indissociao entre forma do objeto e sua quantidade, a ponto de que alterando-se 
uma a outra tambm se altera,  outra caracterstica do sujeito no conservador. Novamente, acredita-se que o procedimento de 
escolha do mpar da forma como utilizado permitiu ao sujeito dissociar uma dimenso da outra, pois suas respostas de escolha na 
segunda parte das prticas s seriam corretas, pelo menos na maior parte dos casos, se ele realizasse essa dissociao. 
Acredita-se, igualmente, que o procedimento de correo adotado foi o outro fator importante para a eficcia do treino para o 
Grupo 1, pois permitia ao sujeito descobrir que aspectos relevantes da situao ele deveria considerar para emitir uma resposta 
correta. Graas a este procedimento de correo, pode-se dizer que o que ocorria era praticamente uma relao interpessoal 
sujeito-experimentador em que o sujeito era, de certa forma, levado a considerar o ponto de vista do experimentador; suas 
respostas s eram recompensadas quando ele retificava a resposta incorreta emitida inicialmente, 
92 
93 
concordando, portanto, com o julgamento da situao, feito pelo experimentador. 
Quanto ao procedimento de correo usado em ltima instncia (o da instruo verbal da regra) correu-se o risco, apontado por 
Kuhn (1974), de que alguns sujeitos tiveram sucesso nas provas do ps-teste, sem no entanto terem adquirido a noo de 
conservao, ou seja, os sujeitos podem ter repetido simplesmente a regra que lhes foi verbalmente fornecida sem terem 
entendido os princpios bsicos da prova. Acredita-se, todavia, que isto no tenha ocorrido neste experimento, de forma 
considervel, uma vez que esta correo s foi aplicada em dois sujeitos. 
O procedimento de correo adotado permitiu ainda um treino de reversibilidade emprica, considerando que, a cada resposta 
incorreta do sujeito, o experimentador retornava ao incio da prtica. Com efeito, Inhelder e Sinclair (1969) indicam que o fato 
de a criana presenciar retornos empricos pode lev-la a adquirir reversibilidade operatria, essencial na aquisio da noo de 
conservao. Esta , portanto, outra caracterstica importante do procedimento de correo que pode ter levado o sujeito a 
adquirir a noo de conservao. 
Em sntese, considera-se que a eficcia do procedimento de treino para 
o Grupo 1 foi devida a suas prprias caractersticas, quais sejam: 1) ser um treino em discriminao e ateno relativo  
dimenso quantitativa dos objtos, que possibilitava uma descentrao em relao s suas dimenses irrelevantes; 2) ser adaptado 
ao paradigma de uma prova de conservao, o que talvez tenha levado os sujeitos a atentarem para as transformaes e no 
para os estados sucessivos; 3) incluir um procedimento de correo, que fornecia pistas ao sujeito e provavelmente o levava a 
considerar outro ponto de vista que no o seu. Alm disso, constitui-se em um treino de reversibilidade emprica que permitia, 
talvez, a aquisio de reversibilidade operatria. 
Outros aspectos relativos ao procedimento adotado, ainda, devem ser comentados. Um deles se refere ao fato de se ter usado 
como instrumento de avaliao da noo de conservao no pr-teste e nos ps-testes o Concept ssesment Kit  Conservation 
(CAKC) de Goldschmid e Bentler (1968). Como indicado por Kuhn (1974), um dos muitos problemas com que se defronta, para 
avaliar e comparar os diferentes estudos sobre a aquisio experimental da noo de conservao,  o relativo ao instrumento 
usado para a aplicao das provas de conservao e aos critrios adotados para sua avaliao. Neste sentido, deve ser 
mencionado que o CAKC no foi utilizado nas outras pesquisas usando o procedimento de escolha do mpar mencionadas. 
Cortudo, apesar de suas limitaes, este instrumento tem sido usado em muitas pesquisas tendo, inclusive, o mesmo objetivo que 
a presente. Por ser padronizado quanto  forma de aplicao, avaliao das provas e materiais utilizados, o CAKC apresenta 
uma srie de vantagens, sendo que a principal delas  a de permitir que outros pesquisadores tenham condies de saber 
precisamente como ocorreu a avaliao da noo de conservao. O fato de se ter usado as Formas A e B, nas avaliaes do 
ps-teste, foi julgado como muito importante. Por se tratarem de formas paralelas, permitem a mesma avaliao e evitam os 
aspectos negativos da repetio do teste. O Teste Verbal de Termos Comparativos, usado na aplicao da Forma do CAKC, no 
pr-teste, pode ser considerado como desnecessrio, pois todos os sujeitos no tiveram qualquer dificuldade com os termos 
testados. Contudo, pode ser julgado como muito importante em pesquisas com sujeitos mais novos. 
Outro ponto a ser comentado  o relativo  idade dos sujeitos pesquisados. Estes eram, comparativamente  idade dos sujeitos 
das outras pesquisas, um ano mais velhos, o que leva a perguntar se a eficcia do procedimento de treino adotado manter-se-ia 
mesmo com sujeitos mais novos. Naturalmente, isto  poderia ser respondido mediante a feitura de uma outra pesquisa. 
Contudo, do ponto de vista experimental, bastou-nos o fato de os sujeitos serem no conservadores. 
A presente pesquisa pode ser considerada, pelos interessantes resultados obtidos, como reforando o ponto de vista de Gelman 
(1969) de que um treino de discriminao e ateno, tal como o fornecido pelo procedimento de escolha do mpar,  efic para 
a aquisio experimental da noo de conservao. Alm disso, o fato de se ter usado apenas uma dimenso relevante refora 
tambm este ponto de vista da aprendizagem de que, a exemplo de outros conceitos, a noo de conservao pode ser vista 
como algo unidimensional. Contudo, o fato de se ter adaptado o procedimento ao paradigma de uma prova de conservao e 
de se ter adotado um procedimento de correo implicando em certos aspectos, j comentados, essenciais  
construo da noo de conservao, tal como a entende Piaget, reforam o ponto de vista da 
equilibrao e sua viso dela como algo multidimensional. Assim, esta pesquisa no contribui 
definitivamente para o deslindamento da questo suscitada por Gelman e Halford. Contudo, 
acredita-se ser difcil planejar um experimento que no contenha ao mesmo tempo aspectos 
atribuveis a um e outro destes pontos de vista. At que isto acontea, esta questo, como tantas 
outras da Psicologia, restar primordialmente no plano terico. 
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3. Interao me-filho: influncia da hiperatividade da 
criana no comportamento materno * 
Clara Regina Rappaport 
Smula 
1. Introduo 
Seguindo o modelo bidirecional de Interao Me-Filho, procurou-se verificar as afirmaes de Bell (1968), Mors (1967), 
Campbell (1973) e outros, de que as caractersticas da criana, nos primeiros meses e anos de vida, levam as mes a 
desenvolverem certas atitudes, o que por sua vez influencia a adoo de prticas de criao infantil. No presente trabalho, a 
caracterstica infantil a ser considerada  a hiperatividade, e de acordo com esse modelo espera-se que as mes desenvolvam 
atitudes e elejam prticas que permitam controlar o excesso de atividade motora, a impulsividade e os demais 
comportamentos no adaptativos dessas crianas. Desse modo esperam as mes poder modelar o comportamento da 
criana, tornando-o menos aversivo para os adultos e mais compatvel com as normas das respectivas faixas etrias. 
* Pesquisa adaptada da Dissertao de Mestrado, com o mesmo ttulo, apresentada no Instituto de Psicologia da Universidade de 
So Paulo, 1978. 
II. Procedimento 
1. Sujeitos 
A fim de examinar a hiptese anteriormente enunciada, foram organizados dois grupos, um experimental e um de controle. 
A. Grupo experimental 
O grupo experimental  composto de 46 mes de crianas de idades correspondentes s 4 primeiras sries de escolas de 1.0 grau. 
As crianas foram indicadas por psiclogos ou professores como hiperativas, sem comprometimento neurolgico ou mental 
aparente. 
Alguns dados caracterizadores dos sujeitos e seus pais: 
Sexo: 37 mes de meninos e 9 mes de meninas, numa proporo aproximada de 4 meninos hiperativos para cada menina 
hiperativa; idade mdia: 
9 anos e 2 meses; idade paterna: mdia 39 anos; nvel scio-econmico: 26% pertencendo  classe mdia-mdia e 74%  classe 
mdia-baixa; idade das mes: mdia 35 anos. 
B. Grupo de controle 
O grupo de controle foi composto de mes de crianas sorteadas ao acaso, que freqentavam a primeira das escolas estaduais a 
que se recorreu para complementar o nmero de sujeitos do grupo experimental. 
Este grupo foi formado selecionando-se mes que possuam caractersticas equivalentes quelas do grupo experimental em todas 
as variveis consideradas relevantes, ou seja: nmero (46 mes, sendo 37 mes de meninos e 9 mes de meninas); idade mdia do 
pai e da me; idade mdia dos filhos (estes que foram selecionados para o grupo) e nvel scio-econmico. 
2. Instrumento 
Foi utilizado o Parental Attitude Research Instrument  PARI, forma IV, desenvolvido por Schaefer e Bell (1958), por ser 
amplamente empregado em pesquisas sobre prticas de criao infantil, inclusive nas que se referem especificamente s crianas 
hiperativas. 
O PARI consta de uma srie de 115 afirmaes, cada uma das quais com 4 possibilidades de resposta: concordo intensamente; 
concordo medianamente; discordo medianamente; discordo intensamente. 
Cada grupo de 5 questes se refere a uma escala, portanto o PARI d a possibilidade de analisar as atitudes das mes em relao a 
23 escalas. 
Destas 23, 3 se referem a atitudes adequadas quanto s prticas de criao infantil, mas, de acordo com trabalhos anteriores 
(Schaefer e BelI, 1958), tm baixo poder de discriminao e so mantidas no Instrumento com fins de rapport. 
As demais se referem a atitudes negativas, inadequadas, pois foram consideradas como de maior confiabilidade e de maior poder 
discriminativo. Entre as atitudes medidas esto aquelas que se referem diretamente  atuao da me sobre a criana, bem como 
outras que tratam do ajustamento conjugal e da adequao da me como mulher e esposa. 
Forma de aplicao 
O PARI foi aplicado s mes dos sujeitos em pequenos grupos. 
Neste sentido, pretendeu-se testar a hiptese de que as hiperativas desenvolvem atitudes em relao a tais crianas tamento 
diferentes das que apresentam as mes de crianas 
mes de crianas e ao seu compor- normais. 
96 
97 
Avaliao 
A avaliao  feita atribuindo-se os escores 4, 3, 2 e 1 respectivamente s respostas concordo intensamente, concordo 
medianamente, discordo medianainente e discordo intensamente. Como a cada escala correspondem 5 itens, o escore total 
do sujeito em cada escala  dado pela soma dos escores de cada item. 
Para facilitar os clculos, os escores totais das escalas foram divididos 
por 5. 
III. Resultados 
Anlise comparativa entre os grupos 
Os resultados obtidos pelos sujeitos dos grupos experimental e de controle, em cada uma das 23 secalas do PARI, foram 
comparados, e as diferenas existentes testadas pelo procedimento proposto por Mann-Whitney. 
Da aplicao desse procedimento aos resultados obtidos pelos sujeitos, resultaram os valores de U e U para os grupos 
experimental e de controle que figuram na tabela que se segue: 
1 
2 
3 
4 
5 
6 
7 
8 
9 
10 
li 
12 
13 
14 
15 
16 
17 
18 
1170,5 
1150,5 
1095 
948,5 
1066 
1091 
844,5 
1170 
981 
1099 
915 
1165 
927 
1008,5 
1025,5 
710,5 
749 
1249 
945,5 
965,5 
1021 
1167,5 
1050 
1025 
1271,5 
946 
1135 
1017 
1201 
951 
1189 
1107,5 
1090,5 
1405,5 * 
1367 * 
867 
Usando a aproximao normal para grandes amostras onde: 
z 
(46) (46) 
U 2 
(46) (46) (46+46+1) 
Valores de U correspondentes aos grupos experimental e de controle em cada escala do PARI e respectivos nveis de 
significncia: 
12 
Tem distribuio aproximadamente normal. Os valores de U para serem significantes ao nvel de 5% devem estar fora do 
intervalo de 807 a 1309. 
Verifica-se, conforme a tabela, que das 23 escalas que compem o Instrumento apenas duas, a 16 (evitar comunicao) e a 17 
(desconsiderao do marido), evidenciaram diferenas estatisticamente significantes entre os grupos experimental e de controle. 
* 
.V. Interpretao dos resultados 
Das diferenas encontradas, a que se refere  escala 16 sugere que as mes das crianas hiperativas, mais do que as mes do grupo 
de controle evitam comunicar-se com seus filhos. Essa atitude poder conduzir a uma reduo da freqncia e intensidade do 
contato verbal entre me e filho, como uma provvel reao da me aos problemas de conduta dos filhos. Reduzir sua interao 
com o filho hiperativo  colocar longe dos olhos e da conscincia o problema que ele representa e pelo qual ela pode se sentir 
parcialmente responsvel. Com essa atitude seus sentimentos de culpa e de ansiedade seriam atenuados. 
No caso da escala 17 (desconsiderao do marido), o contedo dos itens que a integram sugere que um maior nmero de mes de 
crianas hiperativas do que de mes de sujeitos do grupo de controle atribui parte de suas dificuldades em lidar com as crianas  
falta de colaborao e de compreenso do marido. Segundo os autores do PARI, esta escala foi colocada para permitir s mes o 
uso de um mecanismo de projeo. 
A diferena significante entre os grupos nessa escala pode estar indicando a utilizao desse mecanismo, provavelmente com a 
mesma funo do mecanismo sugerido na interpretao da escala anterior. Assim, parece que 
* Outros dados foram analisados, inclusive a consistncia interna do InstrUmento, mas no esto sendo relatados, pois fogem 
aos objetivos desta obra. 
99 
* Significante ao nvel de 0,05. 
98 


Exp. 
C 
Escalas 
U 
U 
19 
1071,5 
1044,5 
20 
1237,5 
878,5 
21 
970,5 
1145,5 
22 
1032 
1084 
23 
936 
1180 

Exp. 
C 
Escalas  
 
U 
U, 

para a me conviver com o estmulo aversivo representado pela criana hiperativa, ela recorre a esses meios que lhe permitem 
liberar suas tenses e tornar sua existncia menos conflitiva. 
Acrescente-se ainda que os dois grupos quase chegaram a diferir de modo significante quanto aos escores na escala 7, e que a 
significncia foi alcanada quando, do grupo experimental, foram excludas as mes dos sujeitos do sexo feminino. Esta 
ocorrncia sugere que as crianas hiperativas desse sexo so mais facilmente manipuladas pelas mes do que as crianas do sexo 
masculino, ou que o grau de hiperatividade dos meninos includos no grupo experimental era sensivelmente maior do que o das 
meninas, embora os critrios de seleo dos sujeitos no tenham permitido detectar. 
Desse ponto de vista, no conjunto, as escalas em que os grupos mais diferiram guardam entre si uma relao seno lgica, pelo 
menos psicolgica. Responder a elas  uma oportunidade que as mes de crianas com problemas de conduta  no caso a 
hiperatividade  tm de aliviar suas tenses e de dividir com outrem a responsabilidade. 
Alm disso, a existncia de tenso entre o casal, como lembram Schaefer e Bell (1958), determina o tipo de vivncia no lar. 
Portanto, as mes, DU os pais, das crianas hiperativas estariam proporcionando a seus filhos um ambiente mais tenso, em 
virtude de suas dificuldades conjugais. Esta tenso poderia ser interpretada como causa da hiperatividade da criana (se existente 
desde o nascimento da criana ou mesmo antes), pois sabe-se que hiperatividade pode ter uma etiologia emocional, reacional a 
situaes difceis de serem enfrentadas pela criana. 
Ou, por outro lado, este relacionamento conjugal insatisfatrio poderia ter surgido justamente como decorrncia das dificuldades 
experimentadas pelo casal, especialmente pela me, em lidar com uma criana difcil, excessivamente exigente, como alis, 
sugerem os estudos de Bell (1958) e de Klebanoff (1958). Com os dados disponveis e com o tipo de estudo aqui relatado no  
possvel saber se os conflitos conjugais antecedem o nascimento da criana hiperativa ou so conseqncia de se ter um filhn 
zom essa caracterstica. 
Em resumo, a expectativa de que os grupos diferissem nas vrias escalas do PARI no se confirmou para pelo menos 20 das 
escalas. Isso faz supor que outros fatores estejam contribuindo para homogeneizar os grupos e, conseqentemente, os resultados 
relativos  essas outras 20 escalas do PARI. Entre esses possveis fatores homogeneizantes est o nvel scio-econmico- 
educacional das mes e seus correlatos. 
V. Concluses 
A hiptese geral que orientou todo o desenvolvimento do presente trabalho previa que um grupo de mes de crianas portadoras 
de um certo distrbio  a hiperatividade  diferiria do grupo constitudo por mes de crianas no portadoras desse distrbio 
quanto  classe de respostas dadas aos itens de um instrumento  o PARI  destinado a avaliar 23 tipos de atitudes. 
O suporte terico dessa hiptese foi representado pela concepo a respeito da interao me-criana, segundo a qual, embora 
se reconhea como ponto pacfico a influncia modeladora que a me exerce sobre a criana, reconhece-se tambm que certas 
caractersticas psicolgicas, e at mesmo fsicas, da criana influem no tipo de relacionamento entre ambas. 
A anlise dos resultados mostrou, de modo geral, que os dois grupos assim constitudos no diferiram de maneira significante em 
21 das 23 escalas do instrumento usado. 
100 
Isso sugere que a hiperatividade da criana no  uma varivel de seu comportamento que leva as mes desse tipo de sujeito a 
expressar atitudes diferentes das que expressariam diante de outro filho no hiperativo ou das que expressou o grupo de mes de 
crianas no hiperativas. 
Em sntese, os dados se ajustam muito mais a uma interpretao m termos de um modelo unidirecional, que sobreleva a 
influncia da me e ignora a influncia das caractersticas da criana. Isso no invalida esse tipo de abordagem, que j se 
mostrou til para explicar diferenas entre mes de crianas portadoras de outros tipos de 
perturbaes e de crianas normais. Significa, apenas, que os tipos de atitudes avaliadas pelo PARI 
no se desenvolvem diferencialmente nos dois grupos de mes.  possvel que, se fossem outras as 
atitudes avaliadas pelo instrumento, um nmero maior de diferenas ocorresse. 
De outro lado seria ilgico esperar-se que dois grupos fundamentalmente diferentes entre si quanto a 
uma varivel  a cor da pele, a idade ou, ainda, o fato de ser me de uma criana hiperativa ou no, por exemplo  viessem a 
diferir me todas as medidas deles tomadas Nessa linha de considerao, pode-se dizer que a hiperatividade ou no dos filhos no 
se mostrou, no presente estudo, como uma caracterstica que diferencie as respectivas mes quanto s atitudes medidas pelas 
escalas do PARI. 
Em resumo, os resultados obtidos no permitem uma interpretao nica e definitiva e, por isso, hipteses alternativas e/ou 
complementares foram levantadas. Ou a hiperatividade no  um atributo de comportamento que afeta as atitudes das mes, 
pelo menos a maioria (90% das atitudes avaliadas), ou a diferena existe num maior nmero de escalas, mas foi mascarada ou 
sufocada pelo efeito padronizador da classe social, ou ainda no foi detectado maior nmero de diferenas porque elas teriam 
sido eliminadas durante o curso do desenvolvimento da criana, ou porque as respostas das mes das crianas hiperativas 
representam uma mescla da qual fazem parte tambm suas atitudes em relao aos demais filhos no hiperativos. 
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Psicologia  revista editada pela Sociedade de Estudos Psicolgicos, So Paulo. 
8. Psico  editada pelo Instituto de Psicologia da PUC do Rio Grande do Suj. 
9. Psicologia em Curso  editada pelo Centro de Ensino Unificado de Braslia. 
10. Boletim de Psicologia  editado pela Universidade de Braslia. 
11. Psicologia, Cincia e Profisso  publicao oficial do Conselho Federal de Psicologia, Braslia, D.F. 
12. Cincia e Cultura  publicao da Sociedade Brasileira para o Progresso da Cincia. 
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Yoshida, Elisa Medici Pizo 
PSICOTERAPIS PSICODINMICAS BREVES E CRITRIOS 
PSICODIAGNSTICOS 
94 p., formato 14x21 cm, ISBN 85-12-64830-9 
 medida que a psicanlise se tornava mais e mais longa enquanto procedimento teraputico, 
aumentava a demanda social por intervenes efetivas e breves. Foram sobretudo psicanalistas com 
vivncia institucional que propuseram procedimentos tcnicos alterando os objetivos e a 
aplicabilidade da tcnica standard, os responsveis pelo surgimento do movimento das psicoterapias 
psicodinmicas breves. 
Neste livro se procede  reviso deste processo e se apresenta, de forma didtica, as principais 
tcnicas da atualidade, com especial nfase nos critrios psicodiagnsticos e na formao do 
terapeuta. 
Sumrio: Introduo. Psicoterapias Psicodinmicas Breves: Conceitos e Antecedentes Histricos. 
Psicoterapias Psicodinmicas da Atualidade. David H. Malan. Peter E. Sifneos. James Mann. 
Habib Davanloo. Edmond Gilliron. Maurcio Knobel. Ryad Simon. Esquema da Evoluo das 
Tcnicas de Psicoterapias Breves. Critrios Psicodiagnsticos. Franz Alexander e Thomas French. 
David H. Malan. Peter E. Sifneos. James Mann. Habib Davanloo. Edmond Gilliron. Maurcio 
Knobel. Ryad Simon. Consideraes sobre os Critrios Psicodiagnsticos. O Critrio Adaptativo em 
Psicoterapias Breves Realizadas por Estagirios. O Critrio Adaptativo em Psicoterapias Breves 
Realizadas por Terapeutas Experientes. Referncias Bibliogrficas. 
Lundin, R. W. 
PERSONALIDADE 
Uma anlise do comportamento 
570 p., formato 14x21 cm,ISBN 85-12-63090-6 
O propsito do presente livro  apresentar um enfoque sistemtico para o estudo da personalidade, 
baseado em dados obtidos, tanto quanto possvel, de observao controlada. Atravs de observao 
e experimentao sistemtica e cuidadosa  possvel desenvolver um conjunto de princpios que 
podem explicar adequadamente a conduta humana. 
Sumrio: O estudo da personalidade. Mtodo cientfico e personalidade. Condicionamento e 
extino. Esquemas de reforamento. Discriminao e diferenciao. Reforamento condicionado. 
Privao e saciao. A influncia das condies biolgicas e das primeiras condies ambientais no 
desenvolvimento da personalidade. Fuga. Esquiva. Punio. Ansiedade. Frustrao e conflito 1. 
Frustrao e conflito II. Comportamento neurtico. Comportamento psictico. Psicoterapias 
convencionais. Terapia do comportamento. O controle prtico do comportamento. Bibliografia. 
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Zaro, Joan S.; Barach, Roland; Nedelman, 
Deborah Jo; Dreiblatt, Irwin S. 
208 p., formato 14x21 cm, ISBN 85-12-60390-9 
Este livro oferece uma introduo ampla  aprendizagem de habilidades psicoteraputicas. Foi escrito para 
atender s necessidades de apoio e orientao concreta dos terapeutas iniciantes e, tambm, para atender s 
necessidades dos professores de um texto de referncia que pudesse ser utilizado em suas atividades como 
supervisores lnicos. 
So discutidos muitos dos problemas prticos comumente encontrados na introduo de uma entrevista, na 
avaliao e na Psicoterapia. Alguns dos erros mais perturbadores e penosos dos estudantes podero ser 
evitados graas  exposio de problemas tpicos das reas. 
Sumrio: Parte 1  Primeiro contato com a tarefa. Parte II  Primeiro contato com o cliente e avaliao inicial. 
Parte III  O processo psicoteraputico. Parte IV  Adaptao a outros contextos de tratamento. 
Morgan, Clifford T. 
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PSICOLOGIA FISIOLGICA 
826 p., formato 14x21,5 cm, ISBN 85-12-60110-8 
Nesta obra so abordados de maneira selecionada e resumida, mas bastante clara, os seguintes tpicos: 
sistema nervoso central e fisiologia nervosa, funes sensoriais e motoras, motivao, aprendizagem e 
memria, leses e distrbios do comportamento. Atravs da discusso destes tpicos o autor analisa como os 
processos fisiolgicos do corpo se relacionam com o ajustamento comportamental do ser humano. 
O livro apresenta a psicofisiologia como uma rea de encontro de muitas cincias, puras ou aplicadas  
matemtica, fsica, qumica, fisiologia, farmacologia, anatomia, neurologia, psiquiatria, engenharia eletrnica e 
psicologia  de grande interesse e utilidade para estudantes, alunos de graduo e ps-graduao em 
psicologia, e para todos os que se preocupam com os problemas das relaes psicofisiolgicas. 
Sumrio: Introduo. O mecanismo perifrico da resposta. O sistema nervoso central. Fisiologia do neurnio, O 
meio interno. Os sentidos qumicos. O sistema visual. Percepo visual. Audio. Os sentidos somticos. 
Funes motoras. A emoo. Sono, despertar e atividade. Fome e sede. Comportamento sexual. 
Comportamento instintivo. Condicionamento. Aprendizagem e discriminao. Soluo de problemas. 
Distrbios cerebrais. Psicoqumica. 
INTRODUO  PRTICA PSICOTERAPUTICA 
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